– 53 anos
– 32 anos de vigilante (27 na mesma empresa)
– São Paulo / SP
*Esta é minha história, eu copiei a mensagem que mandei para o sindicato e lhes enviei.
“Bom dia! Tudo bem?
Eu sou o Severino Felix, esta mensagem é mais para explicar para os senhores o motivo da minha negativa, quando em dezembro me pediram confirmação do endereço para me enviarem uma lembrança, peço desculpas se foi visto como se fosse uma desfeita ou falta de educação, é que eu estava e na verdade ainda estou muito chateado com tudo o que aconteceu e da forma que foi.
Como os senhores sabem; eu não fui reintegrado, não houve processo de reintegração, não houve! naquele dia 10 de abril, quando saí do escritório daquele profissional, indicado e até agendado pelos senhores, saí acreditando que o processo correria a partir dali, comecei a ver que havia algo errado quando recebi um mandado de citação inicial 4 meses depois da suposta entrada no processo de reintegração ( mandado este, que os dois colegas de trabalho receberam 2 meses antes de mim, eles tudo bem, foi comprovado que não estavam em tempo de aposentar) más eu! que o tempo até passou, não achei normal, mas confiei, e acreditei que teria êxito naquela audiência, e talvez tivesse, se o meu representante (o profissional que foi) estivesse ao menos por dentro dos altos do processo.O profissional que foi na audiência (lembrando que essa audiência era a que havia sido marcada no mandado de citação inicial aberto pela empresa) alí eu já tinha certeza que não tinha processo nenhum de reintegração, mas devido a indicação eu ainda acreditava.
Até a hora de chegar no fórum, em conversa com a secretária do profissional pelo ZAP, ela falou: espere o doutor na frente do fórum, em nenhum momento fui informado que era outro que iria, até um senhor gritar meu nome em meio a multidão, e ele ao se apresentar, eu já vi que ia dar ruim, quando ele me falou que uma reintegração seria impossível pq eu teria que fechar 100 pontos: 60 de idade + 40 de contribuição, alí se eu tinha algum fio de esperança, se esvaiu (como a pessoa ia lutar e defender uma reintegração se nem ele mesmo acreditava) na verdade, se eu não estivesse ido, teria tido o mesmo resultado.
Na audiência o juiz trabalhista, não levando em consideração o meu processo de aposentadoria, acatou o pedido da empresa e autorizou a homologação.
A audiência foi em 31 de agosto/23 e só em setembro é que fui retirar na empresa as guias liberadas, o profissional não sabia que eu não havia pego nada na audiência, não assinei e nem peguei nada, depois de tanto esperar, em setembro eu liguei para o profissional que agendou com a empresa e fui pegar, peguei as guias e passei por mais um constrangimento, tive problemas com as guias, do seguro desemprego, como já faziam meses da minha demissão, na entrada do seguro desemprego fui informado que precisava da ata da audiência, tive que recorrer a um advogado conhecido meu que pegou a ata pra mim, e só assim, consegui dar entrada, ou seja: Eu fui muito mal assessorado desde o início.
Não culpo aquí um, nem outro e nem estou citando nomes, se teria ou não sido reintegrado, se o processo de reintegração tivesse sido aberto, como acreditei naquele dia 10 de abril? Também não sei.
Só sei que (baseado em meu caso) o que diz a portaria da categoria sobre estabilidade, não tem força, se tivesse o juíz não teria autorizado a homologação, pois no meu processo de aposentadoria já estava alí, calculado pelo juiz federal o tempo: deu 39 e 05 meses( até a data da entrada) calculado também o valor dos atrasados e até o valor que irei receber mensalmente, porém está sobrestado, pelo tema 1209, não por falta de tempo pra aposentar, está sobrestado esperando a votação do supremo, pra decidir se aposentarei com as regras anteriores ou posteriores a data da reforma da previdência, e eu desempregado há quase um ano e meio, estou prejudicado, como se tivesse culpa do processo estar sobrestado, a empresa me demite sem ter nenhum tipo de consideração com um profissional que dedicou uma vida de trabalho, Quase 27 anos é uma vida! Eu vi a empresa crescer, expandir em números de funcionários, lojas, construção do shopping e etc.
Lembrando que: só não estou aposentado por que não dei entrada na minha aposentadoria antes da reforma da previdência, já tinha tempo na época, porém gostava tanto de trabalhar nessa empresa que fui deixando pra depois, aí deu no que deu e hoje, os processos estão parados em todo o Brasil.
Eu me sinto constrangido com a situação, tenho três filhos pra criar e estou pagando meu apartamento que é financiado.
Voltando a falar da força da portaria sobre estabilidade, vou fazer uma pergunta: a estabilidade não deveria assegurar o emprego ao empregado em fase de aposentadoria até sair a mesma? Ainda mais em meu processo que está super adiantado por não faltar nada, só está na gaveta do juiz esperando o supremo votar.
A minha revolta ou indignação, sei lá! É que é justamente o meu tempo de contribuição que é de 32 anos como vigilante, 27 só no último emprego, e a minha idade 53 anos, que faz com que me neguem emprego, ISSO MESMO! JÁ FIZ FICHAS E ENVIEI CURRÍCULO PARA TODAS AS EMPRESAS DE SEGURANÇA, POIS SEGURANÇA E VIGILANCIA É O QUE SEI FAZER, MAS AS EMPRESAS ACHAM QUE SOU VELHO, E EM MUITAS O ENTREVISTADOR, AO VER MINHA CARTEIRA, FALA NA MINHA CARA, O SENHOR ESTÁ PARA APOSENTAR, E JÁ ME CORTA ALÍ.
Aí a pergunta novamente, pq eu não tive a estabilidade, se não consigo emprego?
A empresa me desligou creio que por dois motivos:
Primeiro: Aquele gestor que na venda da matriz, dia 04 de julho/22, demitiu os 12 vigilantes que alí trabalhavam há décadas, em um restaurante, isso mesmo, fomos demitidos depois de um convite para o almoço em um restaurante na Av.Braz Leme, como estávamos em muitos, juntamos algumas mesas e alí até então era um almoço da empresa, pois o prédio havia sido vendido, mas havia locais para alocar cada um, assim como o Galpão na Vila Leopoldina e até mesmo em Guarulhos, até que ao almoçar o gestor pegou em sua mochila uns envelopes brancos, distribuiu e alí mesmo, assinamos o aviso prévio, na mesa em que almoçamos (parece ironia, mais não é)
Diante da negativa do sindicato dos vigilantes de São Paulo, fui reintegrado em Guarulhos, trabalhei por 8 meses, até que aquele gestor assumiu em Guarulhos e tornou me demitir, o mesmo havia desenvolvido quase que uma obsessão em mandar embora o vigilante que veio de São Paulo (talvez ter sido reintegrado uma vez tenha ficado engasgado na garganta dele) até que ele conseguiu e desta vez pelo Sindicato dos vigilantes de Guarulhos, que também não autorizou a homologação, diante dessa negativa, a empresa atropelou, não respeitou o que diz a portaria da categoria sobre estabilidade, recorreu a justiça e conseguiu.
O que me conforta de alguma forma é que a lei do retorno para quele gestor, já chegou, o mesmo foi demitido já há algum tempo, e alguns colegas de trabalho de lá até já falaram que talvez eu estivesse lá ainda, se ele tivesse sido demitido antes de mim.
O segundo motivo: a diferença salarial, que devido ser vigilante antigo e do município de São Paulo, a diferença de salário era até expressiva, comparado ao salário dos que trabalhavam comigo no mesmo posto, escala e efetuando as mesmas atividades.
Interessante é que em Guarulhos no meu posto de trabalho, há 3 vigilantes lá que deram entrada na aposentadoria há 6, 7 e 8 anos, estão esperando também, com eles a empresa entende que não pode mexer! Mais uma prova de que a diferença de salario, foi o motivo para me demitirem.
A empresa não trabalhava assim, a empresa não mexia com quem estava para aposentar.
Nem o certificado da minha última reciclagem, a empresa me forneceu, reciclagem que fiz em dezembro/22, ainda está em vigor, entrei em contato com o RH, só perguntaram meu nome e não tive mais retorno, tenho insistido, sem sucesso, eu sei que não vai ser esse documento que vai me trazer o emprego, mas é um documento meu por direito.
Devido eu ter sido mal assessorado no início, devido o tempo e a homologação ter sido aceita pela justiça, eu já não tenho mais esperanças de conseguir reverter nada.
Porém, como fiz aqui sem citar nomes, mas contando minha história, nos últimos meses tenho enviado e-mails, para o deputado federal Chico vigilante, para a confederação nacional dos vigilantes, uma vez que estão em luta pelo estatuto da segurança privada, estou pedindo para que se possível, olhem com carinho, para uma possível transformação em lei, essa portaria da categoria que fala da estabilidade do vigilante, para eles eu conto minha história como vigilante, minha trajetória e tudo o que passei ultimamente na empresa é claro, a forma que fui dispensado, e também que o dono é colega deles lá em Brasília, o dono talvez nem saiba do meu caso, más quem sabe o deputado não consegue transformar em lei, para que o que estou passando, não volte a acontecer com outros pais de família no futuro.
Tenho enviado e-mails também, para juízes, para os gabinetes dos ministros do supremo e para a senadora Geovânia de Sá, contando minha história e pedindo para que vejam o meu processo de aposentadoria.
Desculpem por tantas linhas e tantos assuntos abordados, é que sou um homem que trabalha desde os 13 anos de idade e hoje passando por isto é muito humilhante.
Desde já, muito obrigado pela atenção!
Esta é minha história, eu copiei a mensagem que mandei para o sindicato e lhes enviei.
Estou há um ano e meio desempregado, esperando pelo julgamento do tema 1209, 53 anos para as empresas de segurança é velho.”